Veganismo: preocupação com animais e meio ambiente

Porcos resgatados após acidente com caminhão no Rodoanel, em São Paulo, em 2015
(Foto: Cintia Frattini)


Revolução do Garfo, série da Rádio CBN sobre o veganismo

Escute o programa aqui.


1. Veganismo: preocupação com animais e meio ambiente

O movimento vegano surgiu em 1944, e hoje, só no Brasil, é estimado que cinco milhões de pessoas pratiquem esse estilo de vida. Mais do que não comer carne, o vegano exclui, na medida do possível, a exploração de qualquer animal. Além da compaixão, a preocupação com a preservação do planeta se tornou uma das bandeiras do movimento.

Existem vários motivos para uma pessoa se tornar vegana, mas geralmente a compaixão pelos animais é a razão principal para alguém cortar qualquer ingrediente de origem animal do prato. E muito mais do que isso: nada de roupas de couro ou produtos que façam testes em animais.

Um dos grandes nomes atuantes da causa vegetariana no mundo é o ex-Beatle Paul McCartney. Ele sempre conta que parou de comer carne num dia em que estava pescando e chegou à conclusão de que não precisava matar animais para viver.

"As pessoas me perguntam se eu não sinto falta de uma boa carne, e eu respondo que de jeito nenhum. Eu nunca voltaria a comer. Eu gosto de ser vegetariano. É maravilhoso. Posso andar em um campo com animais com a consciência tranquila", afirma o músico.

No Brasil, uma das grandes ativistas se chama Nina Rosa Jacob, que vem de uma família que trabalhava com a pecuária. Em 2000, ela fundou o Instituto Nina Rosa, com o objetivo de divulgar uma educação mais humanitária em relação aos animais. Ela é produtora de filmes que mostram os maus-tratos contra animais na indústria e também em laboratórios. "Assim como a gente não precisa consumir o trabalho escravo, a gente não precisa consumir a exploração animal", diz a ativista.

Mas além da compaixão pelos animais, os veganos defendem a dieta como forma de preservação ambiental. Um simples pedaço de bife de pouco mais de 200 gramas, por exemplo, envolve muitos danos. Tomar banhos mais curtos até ajuda a economizar água, mas deixar de comer esse bife por apenas um dia poupa 792 litros, mais ou menos o equivalente a 16 banhos. O mesmo vale para a emissão de gases poluentes. Comer esse bife tem o mesmo impacto que circular de carro por 240 quilômetros. Sem contar que, ao evitar o bife em apenas um dia, poupa-se mais de seis metros quadrados de áreas desmatadas.

O climatologista Carlos Nobre, que participou do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, explica que a alimentação sem nenhum produto de origem animal tem um impacto muito menor no meio ambiente.

"A carne bovina emite, por quilo de proteína gerado, cinco vezes mais do que outros tipos de carne. Comparado com proteína vegetal, o índice pode ser até 30 vezes maior."

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação estima que o setor pecuário é responsável por 14,5% das emissões de gases do efeito estufa - percentual maior do que o emitido pelo setor de transportes. No Brasil, maior ainda: cerca de metade das nossas emissões está relacionada à pecuária, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Fonte: Rádio CBN

Psicóloga fala em entrevista sobre o luto e a perda de um animal de estimação



O falecimento de um ente querido, independentemente da espécie, pode ter um efeito devastador na vida do enlutado. No caso de perda de um animal de estimação, ainda há o agravante que os tutores precisam lidar com o preconceito de ter sua dor por vezes menosprezada pela sociedade.

Mesmo sendo um período muito pessoal, no qual cada indivíduo lida da maneira que sabe e pode, conhecer e entender o processo do luto pode ajudar a compreender o turbilhão de emoções inerentes à perda.

O Portal do Dog entrevistou a psicóloga Maíra Simeão*, que deu um olhar com mais clareza a um dos momentos mais complexos e dolorosos da vida: a morte.

Confira abaixo a entrevista.

Portal do Dog: O que é o luto?

Maíra Simeão: O luto é uma reação esperada diante da perda de algo significativo para o indivíduo, em que estão presentes diversas reações emocionais e fisiológicas, geralmente repercutindo nos mais diversos âmbitos da vida do enlutado. De modo geral, pode ser uma experiência bastante dolorosa e desorganizadora, mas é necessária para a superação da perda, e é fundamental que durante essa fase o enlutado possa manifestar seus sentimentos como forma de ir se organizando e se adaptando às mudanças ocorridas.

Portal do Dog: Quais sentimentos são comuns em pessoas que experienciam o luto?

Maíra Simeão: São inúmeros os sentimentos que podem eclodir diante de uma perda. Há a negação, quando a pessoa tenta evitar o contato com a perda, não aceitando; há a raiva ou revolta, quando a pessoa se questiona por que isso aconteceu com ela, se ela merecia etc.; há saudade e a necessidade de buscar e recuperar a figura perdida; há o choque, a depressão e desorganização, culpa, ansiedade, irritabilidade, solidão, desamparo, fadiga, pode vir também o alívio etc.

Portal do Dog: Quem procurar nesse momento para auxiliar na perda?

Maíra Simeão: O auxílio pode vir de um profissional, grupos de apoio, amigos e familiares.

Portal do Dog: Quando seria a hora de procurar um profissional?

Maíra Simeão: Quando a pessoa sentir necessidade. Pode ser logo após a perda ou tempos depois. Muitas pessoas só veem necessidade de procurar um profissional quando sentem que seu processo de luto está muito prolongado ou vem se desenvolvendo de forma “atípica” ou “patológica”, porém, trabalhar a dor pode auxiliar em sua elaboração em qualquer tempo, mas claro que o quanto antes, melhor.

Portal do Dog: Por que há tanto preconceito com a dor sofrida na perda de um animal de estimação? Muitos escutam: “Ah, era só um cachorro” ou “Adota outro”.

Maíra Simeão: Mesmo com o conhecimento de toda a existência e expressão do vínculo afetivo entre homem e animal, a sociedade não aceita o pesar causado pela morte de animais de estimação, minimizando e menosprezando esse luto. Há um preconceito em aceitar que alguém chore pela morte de seu bicho como se fosse por uma pessoa. Sendo assim, essas pessoas se sentem incompreendidas, muitas vezes suprimindo seu luto. A morte de um ente amado é uma das dores mais intensas que o indivíduo pode experimentar, e os sentimentos causados pela morte de um animal de estimação podem gerar sofrimento comparável à morte de uma pessoa querida. Há estudos que apresentam esse paralelo, evidenciando que pessoas ficam tão perturbadas que são incapazes de realizar suas atividades rotineiras, sentem angústia, choro fácil e intenso, insônia, outras reações fisiológicas, depressão etc. - reações comumente encontradas em enlutados pela morte de outras pessoas.

A citação a seguir exemplifica as questões referentes a esse tipo de preconceito: “Toda sociedade possui um conjunto de normas sociais de comportamento, baseadas na cultura dessa própria sociedade. Entre essas regras, estão as referentes ao luto. Elas definem determinados padrões de comportamento, quais são as perdas passíveis de luto, quem tem legitimidade de enlutar-se e quais os comportamentos adequados para a vivência dessa realidade. No entanto, essas regras sociais que têm caráter coletivo podem não corresponder aos valores e sentimentos inerentes aos integrantes dessa mesma sociedade” (Carolina Alves de Sousa Lima).

Portal do Dog: Nos Estados Unidos, existe o grupo de apoio Association for Pet Loss and Bereavement ("Associação para a Perda e Luto de Animais de Estimação", em tradução livre). O que você acha dessa iniciativa?

Maíra Simeão: Acho fantástica. A postura que devemos ter diante de uma pessoa que sofre a morte de seu animal não tem de ser diferente da que temos perante uma pessoa enlutada pela morte de uma pessoa querida. Essas pessoas estão fragilizadas e precisam de acolhimento e respeito a sua dor. Criar espaços para que elas se expressem e discutam a vivência de seu luto é um passo bastante importante, pois essa vivência necessita ser verbalizada e trabalhada. Preparar os profissionais da veterinária também é fundamental, pois são geralmente quem acompanham as famílias e todo o processo de morte do animal, e o atendimento necessita ser diferenciado. Tenho conhecimento de que existem clínicas veterinárias no Brasil, embora muito restritas, que já contam com serviços especializados de psicologia justamente para trabalhar com tutores que vivenciam o luto.

Portal do Dog: Em casos de eutanásia, como lidar com a culpa?

Maíra Simeão: A culpa é um sentimento quase que inerente à prática da eutanásia, mesmo diante de uma doença grave do animal. É importante que, para a elaboração desse sentimento diante dessas situações, a pessoa possa refletir sobre o que levou à decisão da eutanásia, como estava a vida de seu animalzinho, que por mais gostoso que fosse ter ele ao seu lado, o animal vinha sentindo dor, sofrimento e total perda da qualidade de vida, e além disso, que a pessoa fale sobre esse sentimento, pois muitas vezes essa conscientização não é suficiente.

Portal do Dog: Alguns escolhem ter um novo animal logo após a perda. Essa prática ajuda ou é mais um subterfúgio para não viver o luto?

Maíra Simeão: Pode ajudar ou ser uma fuga do sofrimento, não existe uma regra para isso, vai depender de cada caso e é importante analisar qual a verdadeira intenção em ter um novo animal. Ocorre muitas vezes de “oferecerem” um novo bichinho para a pessoa que perdeu seu animal, ou ela própria opta por isso, pensando que assim não sofrerá ou sofrerá menos. Então, se a pessoa vai ou não ter um novo animalzinho, o importante mesmo é ter consciência de que rejeitar ou suprimir o luto não auxilia em sua elaboração.

Portal do Dog: Qual a importância de vivenciar o período do luto?

Maíra Simeão: Como citei anteriormente, a experiência do luto é necessária para a superação da perda e para a reorganização psíquica e social do enlutado, ainda que seja dolorosa e muitas vezes dilacerante.

Portal do Dog: O que fazer para amenizar a dor da perda?

Maíra Simeão: Utilizar-se de mecanismos para evitar a dor pode complicar o processo de elaboração da perda. O ideal é que a pessoa possa se expressar e chorar se assim o quiser, pois essas atitudes podem contribuir para a elaboração da perda. Com o tempo, pode ir retomando suas atividades, sair com amigos e familiares etc. Se a pessoa não quiser falar, interagir ou sair de casa, não force, mas se coloque à disposição para escutá-la e acolhê-la e esteja atento a suas reações.

Didaticamente falando, mas sabemos que na prática não é tão linear ou simples assim, as “tarefas” na elaboração do luto são as seguintes: aceitar a perda, ter consciência do falecimento; expressar seus sentimentos; tentar se ajustar às mudanças e retomar suas atividades; guardar boas lembranças e se permitir fazer planos e olhar para o futuro.


*Maíra Simeão (CRP: 11/4844) é graduada em psicologia, possui pós-graduação em psicologia e práticas de saúde, formação em análise do comportamento, psicoterapia breve, tanatologia e capacitação em psicologia hospitalar. Desenvolve atividades na área da psicologia clínica na abordagem analítico-comportamental e apoio em situações de luto, com atendimento em consultório, domiciliar e hospitalar de crianças, adolescentes, adultos e idosos. Possui experiência em plantão psicológico e na área hospitalar com hemodiálise e transplante renal.


Imagem: filme Todos os Cães Merecem o Céu (1989) / Reprodução

Porcos são sensíveis e inteligentes. Então por que comê-los?


Muitas pessoas que consideram seus cães e gatos como parte da família comem animais igualmente sensíveis, dóceis e inteligentes. Destacamos alguns dos motivos que mostram por que não há diferença entre comer porcos e comer qualquer outro animal:

1. Eles são muito inteligentes

Os porcos estão entre os cinco animais mais inteligentes do mundo – inclusive mais inteligentes que cachorros.

Eles têm excelente memória para localizar objetos e incrível senso de direção. Podem achar o caminho de casa de distâncias enormes.

2. Eles sofrem e sentem dor

Porcos são seres sencientes, capazes de sentir emoções como alegria, solidão, frustração, medo e dor.

A despeito disso tudo, a maioria dos porcos é submetida a crueldades inimagináveis do nascimento ao matadouro. Porcas gestantes são confinadas em celas de metal minúsculas onde são incapazes de se mexer. Os porquinhos têm seus testículos e dentes arrancados sem qualquer anestesia e muitos deles (os que não crescem rápido o suficiente) são arremessados de cabeça no piso de concreto para morrerem, de modo a não gerarem despesas para a indústria.

3. Eles merecem respeito e consideração. Há claramente uma enorme contradição entre amar alguns animais e comer outros

Apesar de muita gente condenar a crueldade com os animais, muitos preferem se apegar a alguma justificativa para continuar comendo carne. Uma das principais é o argumento de que precisamos de carne para sobreviver.

A ciência já provou e milhões de veganos vêm demonstrando que não precisamos de qualquer alimento de origem animal para termos uma saúde perfeita. Na verdade, podemos ser mais saudáveis adotando uma dieta vegetariana* bem balanceada, reduzindo assim drasticamente o risco de desenvolvermos câncer, diabetes e problemas cardíacos.

O vídeo abaixo foi produzido a partir de uma investigação da organização Mercy for Animals, nos Estados Unidos. No Brasil e restante do mundo, a realidade dos porcos não é diferente. Não há legendas em português, mas as imagens já contam o suficiente. Veja você mesmo:




Fonte: Mercy for Animal Brasil


NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. Nosso Centro de Adoção ajuda na intermediação da adoção de porcos resgatados do acidente no Rodoanel, em São Paulo, ocorrido em agosto de 2015, e porcos apreendidos pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Guarulhos (SP), que viviam em situação de maus-tratos em uma criação de fundo de quintal.

Hoje, há 50 porcos do Rodoanel vivendo em um santuário em São Roque, interior de São Paulo, e 20 porcos da apreensão de Guarulhos vivendo com uma protetora em Jundiaí (SP). Todos eles aguardam serem adotados por uma família que os trate com a dignidade e amor que merecem. 

Se você é vegetariano/vegetariano estrito/vegano, mora em uma casa com recinto de terra com pelo menos 100 metros quadrados e estruturas fortes para aguentar a força deles (os animais adultos pesam em torno de 300 quilos), fale com a gente: (11) 3151-2536 / 3151-4885 / 7766-1559 (Nextel) / contato@naturezaemforma.org.br

Na foto abaixo, os irmãos Pedrinho e Peppa, filhotes com menos de um ano de idade que vieram da apreensão em Guarulhos. 

                     Foto: Natureza em Forma / Divulgação


2. Leia também: Estudo mostra que galinhas são animais inteligentes e sensíveis

3. *Saiba a diferença entre vegetarianos, vegetarianos estritos e veganos aqui.

4. Saiba como denunciar maus-tratos aqui.

5. Animais não são alimento, nenhum deles. Eles não são comida nem escravos dos humanos. Sentem como todos nós e por isso merecem a vida e a liberdade. A alimentação vegetariana estrita, sem carne de qualquer tipo ou derivados (laticínios, ovos, mel), já está provada como sendo a mais saudável para os humanos. Quem opta pelo veganismo (que engloba não somente a dieta vegetariana estrita, como também o não uso de roupas e acessórios de couro, lã, pele e seda, assim como o boicote a "atrações" que exploram os animais, como zoológicos, circos e aquários, e a empresas que fazem testes em animais) está fazendo um bem pelos animais e para sua própria saúde e vida. E não é difícil nem caro. Quer uma ajuda para começar a parar de comer carne? O primeiro passo é a informação. Aprenda com quem já vive esse estilo de vida: pergunte, pesquise. Use as redes sociais para expandir seu conhecimento sobre vários assuntos, inclusive esse, que é vital para você e um imensurável número de vidas inocentes. Há diversos grupos sobre o tema no Facebook. Listamos abaixo alguns deles:

Troll Ajuda disponibiliza um tópico fixo com uma lista de produtos (não só para alimentação) livres de crueldade animal e oferece sempre diversas dicas para iniciantes e "veteranos";

Veganismo é um dos maiores grupos sobre o tema no Facebook, com quase 50 mil membros sempre compartilhando experiências e tirando dúvidas;

Veganismo Popular desmitifica a ideia de que veganismo é caro. É perfeitamente viável seguir uma alimentação diária sem crueldade animal e sem maltratar o bolso;

Musculação Vegana é voltado para os praticantes de atividades físicas. Nele, você pode ver como é preconceituosa e errada a ideia que algumas pessoas tentam propagar, de que vegetarianos estritos são fracos fisicamente (muito pelo contrário, são mais fortes e saudáveis). O grupo oferece diversas dicas de alimentação e suplementação vegana.

Existem ainda sites e blogues com deliciosas receitas veganas, simples e baratas de fazer. Estes são alguns: 




Viewganas (canal do YouTube especializado em versões veganas de receitas tradicionais com carne) 

Já a Revista dos Vegetarianos é uma publicação mensal (impressa e on-line) com excelente conteúdo que vai bem além de receitas, focando a saúde como um todo. 

Mapa Vegano lista diversos estabelecimentos em todo o Brasil, abrangendo produtos e serviços de alimentos e bebidas, higiene e beleza, roupas e acessórios, ONGs e outros. 

E para dar uma força aos iniciantes, o Mercy for Animals Brasil disponibiliza um Guia Vegetariano gratuito em seu site. Nele, você encontra diversas informações que podem norteá-lo no começo de uma nova vida. O Desafio 21 Dias Sem Carne também pode ser uma boa forma de você começar - e descobrir que consegue abolir definitivamente os animais do seu cardápio.

Mas já saiba desde o começo que abraçar o veganismo é uma mudança e tanto, que fará um imenso bem para você, para os animais e para o planeta.

Os "elefantes pintores" e a imbecilidade humana



Por Sheila Leirner*

Uma pessoa que conhece o meu amor pela arte e certamente desconhece o meu sentimento pelos animais, me marcou, entre outros, numa postagem do Facebook em que ela apresenta o vídeo de um elefante que pinta com um pincel em sua tromba. Sob o olhar do adestrador – que, de tempos em tempos, molha o pincel na tinta –, o animal traça a figura de outro elefante, três flores e uma palavra de quatro letras em guisa de “assinatura”. A legenda diz: “Se quiser aprender a amar, comece com os animais… eles são mais sensíveis”.

O vídeo (que me recuso a reproduzir aqui) foi visto 34.792.138 vezes, 1 K curtiram, 3.226 compartilharam e eu, que jamais vi coisa igual, DETESTEI testemunhar o animal abusado. Um elefante respira 70% pela tromba - é seu órgão mais precioso. Quando o vemos controlar o pincel com ela, não é difícil supor a crueldade da adestração que precedeu esse gesto. Como no circo e nos parques de atrações, esses campos de concentração de animais, adestramento e maus-tratos sempre estão na origem de sua suposta “sabedoria”. Que pulsão é essa que faz o homem, por ignorância, voracidade e/ou crueldade, estar sempre tentando desnaturar o natural?

Procurei saber mais. Descobri que “elefantes pintores” são mártires. A metade deles morre: ou de septicemia (os pincéis os infectam) ou porque se tornam incontroláveis e são abatidos ou se suicidam por asfixia, fechando a boca e deitando sobre sua própria tromba.


Foto: Reprodução


Leia também: 



Miados em excesso: um pedido de ajuda



Os gatos miam exclusivamente para se comunicar com as pessoas; gatos adultos não miam uns para os outros (leia mais sobre isso aqui). Eles miam perto do prato de ração para avisar que está na hora de comer, ao nosso pé para pedir atenção, quando chegamos em casa para falar oi.

Porém algumas vezes o miado pode tornar-se excessivo, de forma incessante e insistente. E a causa é a mesma, o gato está querendo comunicar alguma coisa – nesse caso, que algo provavelmente não está bem. O miado em excesso normalmente vem de algum desequilíbrio. O gato pode miar excessivamente por algum desconforto físico e/ou emocional e é fundamental descobrir a causa para resolvê-la e manter o bem-estar do peludo.

Primeiro, certifique-se de que o gato não está com dor ou doente; vale sempre prevenir com uma visita ao veterinário do que remediar. Informe ao veterinário os horários e situações que desencadeiam os miados - se ao sair da caixa de areia, depois de comer, depois de brincar. Fique alerta também à alimentação, se está tudo equilibrado, com ração de qualidade, adequada e na quantidade e horário certos.

Depois, considere desequilíbrios emocionais:

O gato passa muito tempo sozinho?

Ele está brincando o suficiente todos os dias ou está com muita energia acumulada?

Ele tem o que fazer (brinquedos, arranhadores, puzzles)?

Ele está sofrendo bullying de outros gatos da casa ou algum animal da vizinhança pode estar causando desconforto (outro gato que ele veja pela janela, cachorro que chega até a porta)?

Algo causa frustração recorrente (coisas que ele não consegue caçar, como laser, passarinho engaiolado, peixe em aquário*)?

Alguma mudança recente pode ter sido traumática (a perda de um amigo peludo, mudança no seu horário de trabalho, visitas novas, troca da mobília)?

Pode ser difícil identificar a causa, por isso é bom anotar um esquema da rotina do gato e observar bem seu comportamento ao longo do dia. Caso tenha dificuldade para perceber o problema, tenha em mente que a maioria dos desequilíbrios emocionais em gatos vem da falta de brincadeiras (brinque muito!) e falta de um ambiente enriquecido (lugares para escalar, se esconder, arranhar), portanto esses podem ser bons pontos de partida.

Solidão e dependência também são causas comuns de miados excessivos. Se seu peludo é sozinho, adote uma companhia para ele e deixe muitos puzzles pela casa para ele ter o que fazer quando você está fora.

Por outro lado, para manter o ambiente em harmonia, certifique-se de que o espaço seja adequado para a quantidade de gatos que você tem. É difícil disputar por atenção numa casa cheia, portanto, se você tem muitos gatos, é bom dedicar um tempo individual diariamente para cada um. Para resolver bullying e agressividade entre gatos, uma opção é seguir um passo a passo disponível aqui.

Por fim, miados causados por desequilíbrios emocionais podem ser agravados quando você recompensa o comportamento indesejado, ou seja, dá ao gato o que ele quer. Por exemplo, se o gato mia à noite por não ter brincado durante o dia (e ter energia acumulada) e você levanta da cama e coloca ração no prato para fazê-lo parar de miar, está recompensando o miado e dizendo “miando você consegue minha atenção”. Assim, além de eliminar ou amenizar a causa, é importante também ignorar o comportamento indesejado.

Seja paciente e, sempre que desanimar, lembre que o miado em excesso é um pedido de ajuda e o gato precisa de você para recuperar o equilíbrio e viver bem.



NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

*1. Lembramos que pássaros em gaiola e peixes em aquário não só podem ser fonte de estresse para os gatos, como também certamente é uma prisão de animais inocentes que não cometeram nenhum crime para estarem enjaulados.

2. Em nosso Centro de Adoção, temos arranhadores e diversos brinquedos para entreter gatos. Venha nos visitar!