Incontáveis vidas de muitos animais

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Maus-tratos sofridos por um pastor alemão durante filmagens do filme Quatro Vidas de um Cachorro (A Dog’s Purpose, 2017), divulgados em vídeo pelo site TMZ, levam a ONG PETA a incentivar as pessoas a boicotarem a produção e não verem o filme.

Todos os veículos de comunicação – da causa animal ou não – estão divulgando a notícia. E, mais uma vez, as redes sociais estão em polvorosa: pessoas indignadas, compartilhando o vídeo, escrevendo textos calorosos em defesa dos animais (?), fazendo coro à divulgação do boicote. E antes ou depois do compartilhamento do vídeo, muitos postam fotos da macarronada à bolonhesa que fizeram para o jantar, das férias na praia comendo peixe frito ou dos filhos e seus cachorros-quentes numa festinha.

Quer seguir a recomendação da PETA e boicotar o filme? Sim, faça isso, mas conheça também outras campanhas dessa ONG em seu canal no YouTube - lá tem diversos vídeos que merecem igual atenção de todos. Aqui mesmo, em nosso blogue, se você der uma navegada, especialmente clicando no marcador 'maus-tratos', encontrará bastante material. E não apenas aqui, a internet está aí com seu vasto acervo de muitas ONGs, canais de notícias, pessoas - são vídeos, fotos, textos, filmes etc. de todas as partes do mundo. Que material todo é esse? É referente a diversas razões para todos nos revoltarmos com o que acontece a bilhões de animais, todos os anos, em todo o planeta. E, de posse desse conhecimento, fazermos nossa parte em boicotar - das mais diversas formas - toda essa crueldade. Acredite, existe muito mais a fazer pelo bem dos animais além de deixar de ver um filme. 

Quanto ao vídeo divulgado pelo TMZ, está aí abaixo, caso você ainda não tenha visto em nenhum dos compartilhamentos dos seus amigos. Não entraremos em mais detalhes sobre esse assunto por acharmos desnecessário, e não apenas porque ele já foi noticiado diversas vezes, mas porque, para nós, toda essa repercussão é apenas mais um episódio de histeria coletiva e seletiva de pessoas que dizem amar os animais quando na verdade amam somente cães e gatos.

Mais uma vez perguntamos: qual a diferença?



O hambúrguer vegetariano: uma resposta do setor de tecnologia ao Big Mac



George Motz, morador do Brooklyn, Nova York, se identifica como o especialista dos Estados Unidos em hambúrguer. Devorador de carne entusiasta, já historiou seu caso de amor com a carne em livros e filmes. E calcula que comeu mais de 14 mil hambúrgueres nos últimos 20 anos.

Mas numa fria segunda-feira de dezembro, ele se sentou numa mesa para saborear um hambúrguer diferente de tudo o que já havia degustado antes. Foi no Momofuku Nishi, novo restaurante do popular chef David Chang, quando experimentou o Impossible Burger ("Hambúrguer Impossível").

O Impossible Burger pretende ser a resposta do setor de tecnologia ao Big Mac. Criado por uma equipe de cientistas da área de alimentação no Vale do Silício, é um hambúrguer à base de trigo, óleo de coco e batatas, mas a ideia é que seja mais do que apenas um outro hambúrguer vegetariano. Graças à adição de hemoglobina, uma molécula rica em ferro contida no sangue (que a empresa produz em quantidade usando levedura fermentada), foi inventado para parecer, ter sabor, cheiro, e é frito, como um hambúrguer de carne.

O fundador e diretor-executivo da Impossible Foods, Patrick Brown, disse que o objetivo é desbravar o multibilionário mercado de carne sem matar as vacas. "Você pode ter uma carne deliciosa sem usar animais", disse ele em uma entrevista.

Brown, que foi bioquímico na Universidade de Stanford e fundou a companhia há seis anos, disse que em testes às cegas de sabor algumas pessoas não conseguiram distinguir entre o Impossible Burger e um hambúrguer de carne. E numa degustação informal organizada pelo jornal New York Times, as reações foram no geral positivas.

No Momofuku Nishi, George Motz sabia o que estava saboreando. O Impossible Burguer foi servido em um pão branco macio com uma fatia de queijo americano, alface e tomate, mais fritas de acompanhamento.

"Parece de verdade. E tem o peso certo", disse Motz. Deu uma grande mordida, mastigou vigorosamente e olhou de longe, fixamente.

Para a Impossible Foods ter sucesso, Brown precisará conquistar os carnistas como Motz. "Tenho respeito pelos vegetarianos, mas aqueles que mais nos interessam são os consumidores de carne."

Vegetariano há 40 anos, Brown não pretende criar um hambúrguer sem carne só para as pessoas que já deixaram de comer carne completamente. Não, ele quer mudar o mundo.

Quando tirou um ano sabático há seis anos e começou a refletir sobre um grande problema que ele poderia ajudar a solucionar, Brown se concentrou na ideia de reduzir o consumo de carne.

Esqueça esse negócio de matar bilhões de animais por ano para produzir alimento. A agricultura, pesca e produção de ração para gado e aves restringem os limitados recursos do planeta - consumindo combustível fóssil, produzindo emissões de gases com efeito estufa, se apropriando de terra cultivável e poluindo nossos cursos d'água. "Estão colocando em sério risco alguns ecossistemas", disse Brown.

A Impossible Foods arrecadou mais de US$ 180 milhões de investidores como Google Ventures, UBS e Bill Gates. E integra uma nova safra de empresas alimentícias, como Soylent, Hampton Creek e Juicero, que pretendem revolucionar a maneira como comemos.

E o mercado para esses produtos vem crescendo. As vendas de substitutos de carne aumentaram 18% nos últimos anos, de US$ 850 milhões em 2012 para mais de US$ 1 bilhão este ano, nos Estados Unidos.

"Os consumidores estão ficando mais propensos a aceitar a ideia de produtos alternativos para a carne", disse o analista da Euromonitor, Raphael Moreau. "E é daí que virá o sucesso de verdade, atraindo um grupo maior além dos vegetarianos."

Fonte: Estadão


NOTA DA NATUREZA EM FORMA:

Apoiamos a ideia da criação de um substituto para a carne, já que o ponto principal de parar de consumir animais - respeito pela vida de seres inocentes - não comove a maioria das pessoas. É uma forma de minimizar o consumo, "ludibriando" o paladar do consumidor. Nesse caso, os fins justificam os meios: o importante é o fim das mortes dos animais de consumo, e essa pode ser uma alternativa se cair nas graças do grande público que come carne. Que essa iniciativa dê certo, prospere e se expanda por todo o planeta - e a preços acessíveis. Que este seja realmente o começo de uma revolução nos hábitos alimentares da população mundial - e mesmo o começo de uma conscientização de que a indústria da carne é danosa não apenas aos animais, mas também ao organismo humano e ao meio ambiente em geral, e que tirá-la de nosso cardápio é algo vital para a continuidade até mesmo da vida humana no planeta.

Homem deixa carro na garagem para preservar ninho de beija-flor no para-choque

Beija-flor utilizou para-choque de caminhonete para construir ninho
(Foto: TV Fronteira / Reprodução)


Foi sob o para-choque da "Brilhosa", como é chamada a caminhonete Ford F-75 do enfermeiro nefrologista Hélio Almeida Moreira, de Presidente Prudente (SP), que uma beija-flor se sentiu segura para construir um lar para sua família. O veículo, estacionado em uma casa no bairro Jardim Aviação, está agora com os passeios suspensos, já que o proprietário decidiu respeitar a natureza e aguardar os dois filhotes que vêm por aí.

O enfermeiro nefrologista Hélio Almeida Moreira relatou ao G1 que ficou um período viajando e, com isso, o veículo permaneceu parado na garagem. Na volta, ele foi preparar a caminhonete para o fim de semana, já que a usa somente para passeio nesse período, e houve uma movimentação diferente. "Quando funcionei a caminhonete, ela [beija-flor] ficou rondando e defendendo seu território. Então, pensei que poderia ter algo referente a ninho por ali", relatou.

"Brilhosa", a escolhida pela beija-flor para fazer seu ninho (Foto: Stephanie Fonseca / G1)


Com as investidas da beija-flor, Moreira lembrou que o local já tem um histórico de construção de ninho. "Tem um perto de uma porta, que foi abandonado", disse ao G1. O enfermeiro comentou que abaixo do veículo surgiram umas sujeirinhas. Foram limpas, mas voltaram a aparecer. Ao recordar o episódio, ele foi verificar a parte de baixo do veículo e localizou o abrigo da ave.

Após a descoberta, o enfermeiro optou por manter o Ford F-75 parado por mais um tempo. "Vamos respeitar esse ciclo", afirmou. "A gente está contente por essa situação. Brilhosa vai ficar parada por uma boa causa: para a beija-flor ter os filhotes com tranquilidade", disse Moreira. 

Para que tudo corra bem, Moreira ainda contou que está deixando o local o mais preservado possível. "Não deixamos mais carros irem até lá e a circulação de pessoas é feita com cuidado para que ela não abandone o ninho."

Beija-flor-tesoura coloca apenas dois ovos por vez (Foto: Stephanie Fonseca / G1)


Interessante

O biólogo Luiz Waldemar de Oliveira relatou ser a primeira vez que vê um ninho em um local como esse e que achou interessante a situação: "Já tinha visto em fios e, no ambiente natural, em galhos bem finos, que são onde ela costuma confeccionar seu ninho, mas utilizar o para-choque de uma caminhonete em uma área urbana foi muito diferente de ver".

Entre as quatro espécies de beija-flor que podem ser encontradas na cidade, o biólogo contou que essa é a beija-flor-tesoura, bastante comum na região.

Segundo ele, há um fator que atrai o beija-flor àquele local. "Ela está se aproveitando de uma espécie de árvore que tem bem em frente à residência, que é uma monguba. Assim, ela tem o alimento necessário nas flores e, pelo que pude observar, utilizou para confeccionar o ninho o material das flores, e também tinta que tirou das paredes da residência", observou.

Monguba contribui para a alimentação da ave (Foto: Stephanie Fonseca / G1)


"Ela se adaptou muito bem à situação, utilizando até material fabricado pelo homem, que é a tinta, além do material natural", acrescentou o biólogo.

Esse não foi o primeiro ninho construído no local. Porém, o outro, que contém um ovo, acabou abandonado.

"Pelo que observamos, o primeiro ninho ficou em local de trânsito intenso de pessoas, então ela fez a postura de um ovo e se sentiu incomodada pela movimentação, abandonou o ninho daquele ovo e achou um local mais escondido para fazer outro ninho bem protegido", explicou.

Ciclo

Segundo o biólogo, provavelmente a caminhonete terá de ficar parada por, pelo menos, mais um mês. Aparentemente, ela está chocando por, aproximadamente, duas semanas. "Ainda vão uns dias para eclodir e umas três semanas para o filhote sair do ninho", contou.

Para Oliveira, a atitude do enfermeiro em deixar o ninho no local foi admirável. "Ainda bem que ele está consciente e quer fazer isso. Outros, talvez, não fariam a mesma coisa. É louvável sua atitude de deixar a caminhonete parada. Será certamente uma satisfação para ele quando os filhotes saírem do ninho, poder acompanhar isso", comentou.

A espécie coloca apenas dois ovos, pois é a quantidade que "consegue cuidar", conforme o biólogo. O terceiro ovo, que está no ninho abandonado, já foi perdido. "Mesmo que o terceiro tivesse condições, não daria para ela cuidar", afirmou Oliveira. "Se ele [Hélio Moreira] quiser retirar e guardar de recordação, pode", acrescentou.

Primeiro ninho, perto de uma porta, foi abandonado pela beija-flor
(Foto: Stephanie Fonseca / G1)


Segundo ninho foi construído no para-choque da caminhonete (Foto: Stephanie Fonseca / G1)


Fonte: G1

Veganismo na infância: vegetarianismo infantil sem riscos

Karol e sua filha mais velha (Foto: Amana Salles)



Karol Souto tinha apenas 10 anos quando foi a uma avícola comprar frango a pedido da mãe. Ingênua, escolheu a ave como quem estivesse escolhendo um bichinho de estimação. Apontou o dedo para o animal sem se dar conta de que, após alguns minutos, estaria recebendo o corpo e os órgãos em uma sacola. "Naquela hora, caiu a ficha: carne é bicho. Achei tétrico", conta a vocalista da banda Mercenários do Rock. "Eu era o algoz, escolhi o bicho que iria morrer." Desde então, ela passou a restringir o consumo de carne como pôde, até finalmente trabalhar e passar a comprar a própria comida. Quando a primeira de suas duas filhas nasceu, Karol prontamente avisou a pediatra que carne estaria fora da dieta.

Muitos médicos seriam contrários a decisões como essa, mas não foi o caso da pediatra. Diante da opção da mãe, ela passou a pesquisar o assunto a fundo. Acompanhamentos mensais, avaliação de neurologistas e hemogramas foram requeridos para acompanhar de perto o possível impacto de uma dieta ovolactovegetariana – sem carne, mas com ovos e leite – na saúde da criança. Hoje, sete anos depois e com uma irmã de quase dois anos também vegetariana, a menina é saudável e livre para comer carne se desejar. "Ela às vezes come um cachorro-quente na escola", admite Karol, que exibe tatuado no corpo o símbolo do vegetarianismo. Mas explica a filosofia da casa: "Sou contra todo tipo de escravidão, vício e preconceito. Aqui, todo mundo é livre".

Proteínas e crescimento

O médico Eric Slywitch, especialista em nutrologia e autor do livro Alimentação sem Carne – Guia Prático, lembra que alguma fonte proteica de origem animal é necessária na dieta das crianças até um ano de idade, pois o bebê tem dificuldade de produzir um aminoácido, a taurina, presente no próprio leite materno e nas fórmulas infantis elaboradas para substituir o leite da mãe. Depois, pais vegetarianos devem seguir recomendações específicas para a criança vegetariana. Para ele, a retirada da carne só traz problemas quando a substituição por outros alimentos é inadequada. "Pais devem buscar orientações com profissionais que conheçam as substituições corretas e saibam avaliar de forma objetiva o estado nutricional do bebê", explica ele, que se tornou vegetariano em 1992.

A nutricionista especializada em pediatria Giovana Longo Silva, da Unifesp, afirma que um dos problemas associados à dieta vegetariana na infância é a deficiência de ferro. Segundo ela, o suplemento deve ser utilizado apenas em último caso, pois existem alimentos capazes de suprir essas necessidades (veja abaixo um guia breve da substituição de alimentos). Muitas vezes, a deficiência não é visível e só exames laboratoriais podem apontar alterações no sangue. "Todos os riscos nutricionais numa dieta vegetariana são conhecidos e há ferramentas objetivas para monitorar isso", pondera Slywitch. "Havendo alguma deficiência, também há formas simples de corrigi-la sem que a criança precise comer carne."

A nutricionista Mariana Marchetti é vegetariana e seu filho, de seis anos, é ovolactovegetariano. Para ela, uma dieta vegetariana bem planejada é completamente segura em todas as fases da vida, basta apenas informação sobre o assunto com a ajuda de profissionais especializados. "É preciso substituir alimentos e fornecer todos os nutrientes necessários para ter uma boa saúde, não apenas excluir certos alimentos." Os principais nutrientes que devem ser balanceados são os minerais como ferro, cálcio, zinco, gorduras do tipo ômega 3 e vitamina B12. "Ser vegetariano é bem simples, basta informação", explica.

Karol é contra os suplementos e diversifica muito o cardápio em casa. "Não precisamos viver à base de remédios, é só achar um meio natural de não agredir nenhum ser", comenta. "Aqui em casa, faço questão de fazer a comida. É a minha magia, é o que dou de melhor para a minha família." Entre as opções para enriquecer a alimentação, ela conta com arroz preto, todos os tipos de feijões, frutas e verduras. Está sempre inventando uma receita diferente, fugindo da vida baseada em macarrão. Dessa forma, ela atende ao que Eric Slywitch recomenda: a escolha certa dos alimentos e a forma como são preparados.

Substituição de alimentos

Há diferentes tipos de dieta vegetariana. A ovolactovegetariana é composta por alimentos de origem vegetal, ovos, leite e derivados. A lactovegetariana aceita apenas leite e derivados, mas exclui os ovos. O ovovegetarianismo restringe o consumo de produtos lácteos e o vegetarianismo estrito exclui todos os produtos de origem animal, incluindo o mel. Cada linha deve ser seguida com cuidado e há nutrientes específicos que devem ser substituídos de forma adequada.

Proteínas

Tofu é rico em proteínas e pode ser usado em diversas receitas (Foto: Getty Images)


A carência de proteínas pode afetar o desenvolvimento e crescimento da criança. "Ao retirar as carnes, inclua feijões, ervilha, lentinha, grão-de-bico e tofu", explica Slywitch. "Quando substituímos as carnes por feijões, a proteína permanece três vezes mais elevada que a necessidade. E os aminoácidos (lisina, metionina e cisteína), cinco vezes mais elevados." Se a criança não come ovo, o consumo de arroz integral e leguminosas deve ser mais alto em todas as refeições.

Ferro

Feijão possui bastante ferro (Foto: Getty Images)


A carência de ferro pode afetar a disposição e o desenvolvimento cognitivo. Para compensar a menor biodisponibilidade do ferro vegetal, Slywitch recomenda escolher alimentos com o dobro do ferro das carnes. "Em 75 gramas de feijão, o que equivale a menos de meia xícara do grão cru, temos 4,8 mg de ferro, que substitui a carne bovina", explica. O frango poderia ser substituído por apenas 25 gramas de feijão, o equivalente a 1/8 de xícara de grão cru. Mariana Marchetti explica que o consumo do ferro vegetal requer cuidados especiais. O ideal, além de contar sempre com o feijão e verduras verde-escuras, é ingeri-los junto com uma fonte de vitamina C – como limão, laranja, abacaxi – para melhorar a absorção do mineral, e nunca com chá ou café, por exemplo.

Zinco

Gergelim é ótimo para repor o zinco (Foto: Getty Images)


A falta de zinco no organismo pode afetar o crescimento e o estado imunológico do indivíduo. Por isso, crianças vegetarianas devem consumir muito gergelim, gérmen de trigo ou soja. Para melhorar a absorção do zinco, os grãos devem ser deixados de molho na água da noite para o dia. Isso reduz o teor de ácido fítico, elemento que reduz a absorção do mineral. Cerca de 50 gramas de gergelim fornecem a mesma quantidade de zinco (6,4 mg) presente nas 100 gramas diárias de carne recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Vitamina B12

Dr. Eric Slywitch recomenda o uso de suplementos para repor a vitamina B12 (Foto: Getty Images)


A deficiência de vitamina B12 está associada a problemas de desenvolvimento cognitivo e sistema nervoso. Ela é encontrada em ovos e laticínios, mas Slywitch defende o uso de suplementos. Fórmulas infantis contêm a B12 e podem ser grandes aliadas da saúde da criança.

Cálcio

Brócolis é uma fonte essencial de cálcio (Foto: Getty Images)


O déficit de cálcio pode prejudicar o crescimento e a formação adequada dos ossos, além de favorecer a osteoporose na vida adulta. "Nesse caso, é fundamental enfatizar a ingestão de alimentos como couve, brócolis, feijão branco, gergelim torrado, frutas secas, castanhas, tofu e melado de cana", afirma a nutricionista Mariana Marchetti. Fórmulas de extrato de soja enriquecidas com vitaminais e minerais também ajudam a alcançar a quantidade recomendada de cálcio.



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Tolstói e o vegetarianismo - parte 2: O que Tolstói escreveu sobre o vegetarianismo

Liev Tolstói (à direita, de barba branca) em um almoço de família por volta de 1905
(Foto: Wikimedia Commons)


"Enquanto houver matadouros, haverá campos de batalha." A frase não vem de uma nova campanha da PETA, organização pelos direitos dos animais. Ela foi escrita há mais de 100 anos pelo russo Liev Tolstói, no livro O que Eu Acredito, de 1885, dedicado à sua interpretação pessoal do cristianismo.

No fim do século 19, aos 50 anos, depois de ter se tornado uma celebridade de seu tempo pela publicação de alguns dos romances mais cultuados da literatura mundial, o autor de Guerra e Paz e Anna Karenina decidiu deixar de comer carne. Nessa fase de sua vida, o vegetarianismo se tornou não só uma prática do escritor, como também um tema de reflexão e elaboração em seus textos.

O que Tolstói escreveu:

"Se um homem aspira a uma vida correta, seu primeiro ato de abstinência deve ser de ferir animais" (No ensaio O Primeiro Passo, de 1892)

"Um homem pode viver e ser saudável sem matar animais para comer; portanto, se ele come carne, ele toma parte em tirar a vida de um animal apenas para satisfazer seu apetite. E agir dessa forma é imoral" (Em Writings on Civil Disobedience and Nonviolence, de 1886)

"Isso é espantoso! Não o sofrimento e a morte dos animais, mas que as pessoas reprimam nelas mesmas, desnecessariamente, a capacidade espiritual mais elevada – de compaixão e piedade em relação a criaturas vivas como elas mesmas – e ao violar seus próprios sentimentos, se tornam cruéis" (No ensaio O Primeiro Passo, de 1892)

A razão da decisão

A mudança na dieta de Tolstói é parcialmente atribuída à proximidade com o positivista e vegetariano William Frey, segundo Sam Pavlenko, autor de um livro de receitas vegetarianas baseadas nas que foram deixadas pela família do escritor. Frey teria visitado Tolstói durante o outono de 1885.

Mas o vegetarianismo de Tolstói se insere em uma busca mais ampla por um modo de vida "elevado", resultante de uma crise espiritual vivida pelo escritor por volta de seus 50 anos.

Essa fase também marcou seus escritos, que se voltaram para a formulação de uma filosofia moral pacifista, cristã e vegetariana que ficou conhecida como "tolstoísmo". Contudo a transformação das soluções encontradas pelo escritor para suas inquietações pessoais em uma espécie de doutrina, seguida por vários de seus contemporâneos, o desgostava. "Falar em 'tolstoísmo', procurar orientação e indagar sobre minhas respostas para as questões é um erro grande e grosseiro", escreveu ele.

Tolstói passou a crer que a arte tem um componente religioso e deve tornar tanto o artista quanto o mundo melhores.

Ele adotou condutas que iam ao encontro da moral cristã, rejeitando, ao mesmo tempo, a institucionalização dessa espiritualidade pela Igreja - uma espécie de anarquismo cristão.

Nos últimos 25 anos de vida, o escritor produziu obras como Confissão (de 1879), que uma década após Guerra e Paz se concentrava em fazer uma autocrítica biográfica sobre fama e fortuna, motivações para escrever que passou a considerar equivocadas.

Receitas da família

A militância do escritor russo acabou influenciando também seus familiares: suas filhas e esposa, Sophia Andreevna, também aderiram ao vegetarianismo, segundo o site History Buff.

Sophia não só se tornou vegetariana como mantinha um diário com as receitas da família, que deu origem a um livro de receitas vegetarianas publicado em 1874, de surpresa, por seu irmão.

Entre as receitas, estão um bolo de café, uma torta vienense, cogumelos picantes e molho tártaro da família Tolstói.

As receitas também inspiraram o livro A Vegetarian’s Tale: Tolstoy’s Family Vegetarian Recipes Adapted for the Modern Kitchen ("Um Conto Vegetariano: Receitas Vegetarianas da Família Tolstói Adaptadas para a Cozinha Moderna", em tradução livre), com versões atualizadas das receitas e conversão das medidas russas.