Pele impressa em 3D substitui animais em testes de cosméticos

Trabalho premiado teve como base modelo de pele humana reconstruída em laboratório 
para utilização em testes de toxicidade (Foto: Marcos Santos / USP Imagens)


Modelos de pele humana impressos em 3D para substituir animais em testes de cosméticos são o tema do trabalho da pesquisadora Carolina Motter Catarino, que acaba de receber um prêmio internacional. A pesquisa de doutorado realizada no Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy (Nova Iorque, Estados Unidos), é uma das premiadas pelo The 2017 Lush Prize, destinado a descobertas sobre testes que eliminem o uso de animais. A base do trabalho premiado foi o desenvolvimento de um modelo de pele humana reconstruída in vitro para testar toxicidade, realizado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, com orientação da professora Silvya Stuchi.

Carolina Motter Catarino, premiada no The 2017 Lush Prize 
(Foto: Lush Prize 2017 / Divulgação)


Em alguns países onde o teste de cosméticos usando modelos animais ainda é permitido, são usados animais como coelhos e ratos, entretanto, muitos países baniram essa prática em favor do uso de métodos alternativos. “Por exemplo, em 2009, a União Europeia proibiu o uso de animais para testes de cosméticos e em 2013 proibiu a venda de produtos que tenham sido testados em animais”, relata Carolina. Quanto aos testes em animais no Brasil, um projeto de lei está tramitando no Senado Federal para proibição efetiva do uso de animais para testes de produtos cosméticos e de higiene pessoal. Uma série de métodos alternativos foram desenvolvidos nos últimos anos, como os modelos de pele humana reconstruída in vitro.

De acordo com a pesquisadora, os testes com animais apresentam inconveniências. “Primeiramente, os animais são fisiologicamente muito diferentes dos seres humanos, como sua composição e estrutura das camadas da pele e concentração de folículos capilares”, aponta. “Essas e outras diferenças podem gerar resultados que não são reproduzidos em humanos posteriormente ou até mesmo não antecipar possíveis efeitos adversos.”

Os modelos de pele disponíveis atualmente para testes são fisiologicamente semelhantes à pele humana e foram validados para parâmetros específicos como irritação e corrosão, observa Carolina. “No entanto, a maioria desses modelos contém no máximo um ou dois tipos de células entre os mais de 15 tipos presentes na pele humana e não apresentam vasculatura e apêndices (folículo capilar, glândulas sudorípara e sebácea)”, ressalta. “A falta desses componentes e dos diferentes níveis de complexidade deixa espaço para desenvolvimento de modelos mais completos e que sejam fisiologicamente mais relevantes.”

Comparação mostra semelhança entre a pele humana produzida na impressora 3D 
e a pele existente no corpo (Foto: Carolina Motter Catarino)


Impressão

A pesquisadora trabalhou com células humanas extraídas a partir de amostras de pele provenientes de cirurgias plásticas ou postectomia (cirurgia para remoção do prepúcio). “Em geral, são usadas amostras de prepúcio de cirurgias realizadas em recém-nascidos. Essas células apresentam um melhor potencial para expansão e diferenciação em comparação com células isoladas de amostras de pele de adultos. Após isolar as células, elas são expandidas in vitro, de modo a gerar quantidade suficiente de células para reconstruir a pele”, explica. Para a impressão da pele, o primeiro passo é preparar as diferentes bio-inks (tintas biológicas). “Essas tintas são compostas por uma mistura de proteínas presentes na pele humana, como o colágeno tipo I, e as células de pele previamente isoladas, como fibroblastos, queratinócitos e melanócitos.”

Os cartuchos de bio-ink são colocados na impressora e o processo de impressão é iniciado e controlado por um software. “Depois de impressas, as amostras de pele são mantidas numa incubadora de 12 a 21 dias para a diferenciação das camadas da pele”, descreve Carolina. “Após esse período, a pele apresenta estrutura semelhante à pele humana e pode ser usada, por exemplo, para avaliar potencial irritante ou corrosivo, entre outros, de substâncias aplicadas topicamente.”

Cartuchos de tinta biológica são colocados na impressora 3D para produzir 
as amostras de pele humana (Foto: Carolina Motter Catarino)

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A pesquisadora começou a pesquisar modelos de pele in vitro durante o curso de graduação em engenharia de bioprocessos e biotecnologia, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), quando participou do Brafitec, programa de intercâmbio acadêmico entre o Brasil e a França para alunos de engenharia. Ela estudou seis meses na Université de Technologie de Compiègne e depois fez estágio de seis meses na L’Oréal, em Paris. “O trabalho na empresa era usar modelos de pele reconstruída para testar uma série de compostos. Esse foi o primeiro contato com o conceito de métodos alternativos aos testes em animais”, conta.

Veja a impressora em funcionamento no vídeo abaixo.




Após retornar ao Brasil e se formar na UFPR, Carolina iniciou o mestrado no Laboratório de Biologia da Pele da FCF, orientada pela professora Silvya Stuchi, onde desenvolveu um modelo de epiderme humana reconstruída in vitro para ser usado como plataforma para screening (teste de rastreamento) toxicológico de substâncias. Depois do mestrado, a pesquisadora se mudou para os Estados Unidos, para realizar doutorado no Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, no estado de Nova Iorque, com bolsa integral do programa Ciência sem Fronteiras. “Apesar de todas as etapas anteriores da minha carreira terem sido fundamentais para o meu crescimento como cientista, o projeto desenvolvido nos Estados Unidos, no laboratório do professor Pankaj Karande, rendeu a premiação pela Lush”, destaca.

Fonte: Jornal da USP  


NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. O Olhar Animal, que também replicou a matéria acima, fez a seguinte nota: "Enquanto o DESINFORMADO GOVERNADOR DE MINAS GERAIS, Fernando Pimentel, veta o projeto de lei que proibiria os testes de cosméticos em animais no estado, alegando que 'as pesquisas no setor ficariam prejudicadas e correriam grandes riscos', a pesquisadora da USP Carolina Motter Catarino ganha prêmio internacional pelo desenvolvimento de modelos de pele humana impressos em 3D para substituir animais exatamente nos testes de cosméticos. Ao contrário do que especula o governador, o fim dos testes em animais significa no mínimo dois avanços: o moral, pela não exploração de seres sencientes e vulneráveis, e o científico, por incentivar pesquisas por modelos científicos mais confiáveis que o tecnicamente precário modelo animal. É lamentável que o governador estivesse tão despreparado para avaliar a questão, já que até mesmo breves pesquisas no Google evitariam dar justificativa tão inconsistente para o veto à lei".

Porto de Santos confirma suspensão de embarque de animais por determinação da Antaq

Bois sendo embarcados em navio para serem levados à Turquia (Foto: Carlos Nogueira / AT)


A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) enviou uma nota oficial à redação da Anda (Agência de Notícias de Direitos Animais) confirmando a suspensão do transporte de animais vivos no Porto de Santos. Os animais seriam enviados pela Ecoporto.

De acordo com a Codesp, a suspensão será mantida até que seja concluído o processo que tramita na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

“A recente suspensão das operações de embarque de carga viva decorre por medida preventiva desta Codesp em virtude de tramitar no órgão regulador (Antaq) processo que definirá a realização de tais operações. Até que se conclua o trâmite, as operações estão suspensas. Após a manifestação do órgão competente, a Codesp tomará as medidas cabíveis”, afirma a nota enviada pela assessoria de imprensa do Porto de Santos.

O deputado federal Ricardo Izar Jr. havia questionado a direção do Porto de Santos se a Ecoporto Santos teria autorização para fazer esse tipo de operação. A direção recebeu a resposta da Antaq informando que a empresa não tinha permissão para realizar esse tipo de atividade e por isso determinou que os embarques fossem suspensos.

Em nota oficial enviada à Anda, o Porto de Santos reafirmou 
a suspensão do embarque de animais vivos (Foto: Divulgação)


A Companhia Docas do Estado de São Paulo, em nota divulgada anteriormente, se colocou contrária aos maus-tratos impostos aos animais e alegou “que constitui a missão desta companhia o desenvolvimento econômico com responsabilidade socioambiental, não caracterizando sob nenhuma hipótese a nossa intenção de desrespeitar a vida animal”*.

É importante, urgente e necessário que ativistas pelos direitos animais, representantes da classe política e do judiciário e também toda a sociedade se mobilize para que esse tipo de transporte absolutamente cruel, que provoca profundo estresse físico e emocional nos animais, seja abolido no Brasil. Intrinsecamente, esse transporte fere todas as leis de proteção e bem-estar animal.



NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

*1. Apesar de a Codesp afirmar ser contrária aos maus-tratos, 27 mil bovinos foram despachados para a Turquia pelo Porto de Santos em 4 de dezembro passado, apesar da luta de ativistas para impedir o embarque. Leia aqui

2. E reforçamos que o objetivo da luta diária que nós, da causa animal, travamos é a completa abolição animal. É claro que poupar esses animais de tamanho sofrimento como uma viagem dessas é um grande ganho, mas nosso propósito é que eles sejam libertados dos matadouros, e vivam livres, sem dor e quaisquer sofrimentos, como todos os animais merecem.

Cantora Anitta adota dois cachorros


Ontem (13/1/2018), Luisa Mell publicou em suas redes sociais (Facebook / Instagram): @anitta #adotou 'Luisa! Eu estava pensando em comprar um cachorro... mas comecei a te seguir e resolvi #adotar ❤️ ' Quando chegou a mensagem... quase não acreditei! Era ela! Uma das artistas mais influentes do Brasil! Ela que arrasta multidões! Que tem milhões e milhões de seguidores... e que eu, confesso, sou superfã! Hoje, levamos 4 cachorros no hotel onde ela está hospedada... e depois de muita dúvida... ela não conseguiu escolher só 1 kkk #adotou 2!! Um que eu resgatei em uma comunidade (ano passado) e o outro é um dos cachorros que sofriam maus-tratos naquele canil clandestino (dos 135 resgatados)!! Tenho certeza de que esses dois serão muuito felizes!! É evidente o amor dela (e do marido) por cães (ela já os chama de filhos)! E sem dúvida é um grande exemplo para os milhões de fãs que ela tem no Brasil e no mundo!! #adotei #anitta@institutoluisamell #anittaadotou”.

Foto: Instagram / Reprodução

Youtuber visita santuário e dá péssimo exemplo


O youtuber Whindersson Nunes visitou recentemente o Phoenix Park – um parque de conservação de cervos localizado em Dublin, na Irlanda – e publicou imagens nas quais é possível vê-lo desrespeitando as regras do local e colocando em risco a vida dos animais.

Por funcionar como um santuário que tem o objetivo de reproduzir cervos para preservar a espécie, o parque tem rígidas normas que determinam que os visitantes não se aproximem dos animais nem os alimentem.

No Instagram, Nunes publicou um vídeo em que fica próximo dos cervos, infringindo a norma do Phoenix Park. Ele atrai um deles com a mão fechada, fingindo que segura um alimento. Quando o cervo se aproxima, ele faz um gesto obsceno com o dedo para o animal.

Não satisfeito, o youtuber decide alimentar um cervo. Em uma foto publicada por ele, é possível vê-lo sentado em um banco ao lado da namorada, com um pacote de comida industrializada em uma das mãos, que é oferecido ao cervo. “Um animal sendo alimentado”, diz a legenda da publicação.

O ato de alimentar um animal silvestre, especialmente com alimento industrializado, é proibido pelo parque devido aos riscos que pode trazer para a saúde do animal, que pode adoecer*.

Ativistas acionaram os guardas do parque – que enviaram uma advertência ao nome do youtuber, mas não o encontraram no local devido à grande extensão territorial do Phoenix Park - e se uniram para enviar e-mails ao superintendente do santuário solicitando que o indivíduo se retratasse publicamente.

A atitude do youtuber não só é reprovável por ter quebrado as regras do parque e colocado os animais em risco, mas também pelo incentivo gerado pelas publicações feitas por ele. Isso porque Nunes possui mais de 17 milhões de seguidores no Instagram, supostamente sendo responsável por formar opiniões e reforçar comportamentos que, nesse caso, agridem a vida selvagem.


Foto: Instagram / Reprodução


*NOTA DA NATUREZA EM FORMA:

Além de riscos à saúde que o alimento pode trazer ao animal, o próprio ato de um ser humano alimentar um animal silvestre já é errado. Isso porque o animal perde o medo dos humanos e passa a se aproximar, alterando seu comportamento natural e, com isso, criando mais riscos a sua integridade física, pois ele fica vulnerável a caçadores e outros tipos semelhantes de humanos violentos. 

Exemplo atual e brasileiro é o caso dos bugios, que vêm sendo mortos envenenados e a pauladas por humanos que se aproveitam dessa confiança dos animais para assassiná-los, devido à crença infundada de que eles transmitem febre amarela (não transmitem, são apenas vítimas da doença).


Fonte: Um Sonho de Bugio  


NOTAS DA NATUREZA EM FORMA:

1. Além de envenenados, são encontrados macacos mortos por trauma. E isso ocorre principalmente porque esses animais estão acostumados a ganhar comida de seres humanos e se aproximam sem medo dessas criaturas perigosas. Nesse caso das mortes dos bugios, os animais se aproximam dos humanos para receber alimento envenenado ou, simplesmente atraídos pela promessa de comida, levam uma pancada. 

Essa é a razão de ser proibido alimentar animais em parques e áreas de preservação. Os animais não podem perder seu instinto de autopreservação; eles devem ficar afastados da interação com os humanos, mantendo seu comportamento natural. 

2. Leia também: